devaneios psicodélicos

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Uma tarde no Masp

Vale muito a pena visitar o Masp neste mês de junho. Lá estão acontecendo três exposições, que agradam aos mais diversos gostos culturais.

Em comemoração ao ano da França no Brasil, um dos andares está dedicado à exposição “Arte na França 1860-1960 – O Realismo”. São obras dos mais importantes artistas de todos os tempos, como Renoir (à esquerda, o quadro As Meninas Cahen d'Anvers), Portinari, di Cavalcanti e Tolouse-Lautrec, em sua maioria representando fielmente as formas humanas e alguns animais.

A mostra expõe as diversas vertentes do realismo. Algumas obras chegam a parecer fotos, de tão perfeitas, dando a impressão de que podem se mexer a qualquer momento. É assim inclusive que começa a mostra, com frase de Gustave Courbet a respeito da criação de uma “arte viva”:

“Saber para poder – foi esse meu pensamento. Ser capaz de traduzir os costumes, as idéias, a cara de meu tempo, conforme minha opinião e meu modo de ver; ser não apenas um pintor, mas também um homem, em suma, fazer uma arte viva, este é o meu objetivo.”

Descendo um andar, chega-se à exposição de fotos “Terra em transe”, do artista espanhol Manuel Vilariño. Considerado um mestre da natureza morta, Vilariño compõe suas imagens com base em animais mortos, velas e frutas, revelando cores e ao mesmo tempo causando certo choque aos visitantes. Ao lado, "Natureza Morta com açafrão", pra que você possa ter uma ideia.

Mas estava no subsolo a exposição mais esperada do dia: VIK, uma seleção de fotografias das obras do artista Vik Muniz. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Vik é conhecido por criar obras a partir dos elementos mais inusitados, como poeira, lixo e chocolate. Além do talento visível na perfeição das obras e da criatividade nos materiais usados, vale ressaltar que todas as obras têm um propósito.

A série “Crianças do Caribe”, por exemplo, foi feita depois de uma viagem ao local, em que Vik conheceu um grupo de crianças de rua extremamente doces e amigáveis. O artista resolveu homenageá-las com seus retratos expostos em açúcar num fundo preto.

Outra série interessante é composta por divas e monstros. Um colecionador de suas obras, que fabricava diamantes, resolveu emprestá-los para Vik. Ele, então, produziu as imagens de várias divas, como Elizabeth Taylor (à esquerda) e Bette Davis. Em contrapartida, resolveu retratar monstros clássicos do cinema usando caviar, uma forma de simbolizar a pouca durabilidade dos monstros nos filmes.

Serviço
MASP: Av. Paulista, nº 1.578 - Cerqueira César
Tel.: (11) 3251-5644
De 24 de abril a 12 de julho
Terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h
Quintas, das 11h às 20h
Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada R$ 7)
Grátis às terças-feiras!
Mais em: http://www.vikmuniz.net/

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Sexta-feira, Maio 22, 2009

Enogastronomia

Já tinha esquecido o quanto aprecio um bom vinho. Estive ontem na Vinea Store, no Paraíso, para conhecer a famosa noite enogastronômica que a casa promove às terças, quartas e quintas-feiras. A cada mês, são escolhidos chefs para comandar a cozinha do local, enquanto os sommelières indicam os melhores vinhos para acompanhar a refeição.

Às quintas, especificamente, é dia de risoto, sempre com um sabor diferente por semana. Ontem foi a vez do risoto de quatro queijos, delicioso, com consistência e sabor incríveis, servido ao lado de um carmenère chileno reserva da In Situ, da safra 2005.

A uva carmenère foi escolhida por não ter muito tanino (aquela sensação de "boca amarrada"), já que nem todos os presentes estavam acostumados a vinhos fortes e encorpados. A bebida estava leve e muito agradável, combinando perfeitamente com a ocasião, e o fato de ser um chileno conferiu ainda mais credibilidade ao rótulo, já que é de lá que vêm os melhores vinhos desta uva.

O lugar é um charme só. Lá funciona a loja, pequena porém aconchegante, e nos fundos há uma área semi-descoberta à meia-luz, com velas sobre as mesas, vasos de flores frescas e uma fonte. Não dá pra não se encantar com toda a atmosfera criada.

Parece até ser um programa caro, mas não é. Pelo risoto, paga-se R$ 15,00, e há vinhos com excelente custo-benefício a partir de R$ 30,00. Um programa diferente, saboroso e mais que adequado aos dias frios que vêm fazendo.

Serviço
Vinea Store
Rua Manoel da Nóbrega, nº 1014 - Paraíso
De segunda a sexta, das 10h às 22h - Sábados, das 10h às 18h
(11) 3059-5205

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Terça-feira, Maio 19, 2009

No chão, sem o chão.

Meu primeiro contato com o músico paulista Rômulo Fróes foi na Ilustrada, há algumas semanas. Ele ganhou uma reportagem de capa falando de seu terceiro CD, duplo, chamado “No chão sem o chão”. O destaque dizia que o álbum estava disponível para download na internet por iniciativa do próprio músico, que alegou querer “espalhar seu som”. Conseguiu, no meu caso.

Baixei os CDs a partir do blog indicado na matéria (de quebra, conheci o melhor blog do mundo para quem gosta de música brasileira) e de cara me identifiquei com o som do rapaz de 38 anos que sonha com o dia em que vai se ouvir no rádio. Não é um som facilmente digerível, mas, depois da segunda vez que se escuta o CD, é impossível não se encantar e cantar algumas das poesias densas que ficam na memória.

Não espere muito da voz de Rômulo. É grave, tem um tom bonito, mas não passa muito disso. Prefira se prender às letras dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, que constroem cenas na nossa cabeça e estimulam o imaginário. Com certeza, é a “cereja do bolo”. Preste atenção também nos solos desconexos e na variedade de instrumentos, que vão da guitarra ao trompete, passando pelo bandolim, piano, contrabaixo e o que mais parecer fazer sentido pra ele.

Na verdade, Rômulo já foi classificado como “sambista” e “indie”, até por conta dessa diversidade. Mas não gosta de nenhum destes rótulos. Nada disso combina com ele, segundo o próprio. Aliás, o que combinou bastante foram algumas participações ilustres, como a de Mariana Aydar em “De Adão para Eva” e do trompetista Bocato, além de Andreia Dias e das pastoras da Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, no samba "Manda chamar".

Lembrei um pouco do Otto pelo todo (letras bacanas + instrumentação de qualidade + voz fraca + parcerias legais), com a diferença que Rômulo é paulista e carrega consigo a melancolia da metrópole, enquanto o pernambucano representa mais a alegria e a festividade nordestinas.
Ambos são livres para não se prender a estilos; não seguem fórmulas de sucesso em suas músicas; costumam causar bastante estranheza a quem lhes ouve; e...

Têm a mim como fã! :)

Baixe os CDs de Rômulo Fróes e conheça o melhor blog de downloads de música brasileira: http://umquetenha.blogspot.com/2009/03/romulo-froes-no-chao-sem-o-chao-2009.html

Foto: Tatiana Blass

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Segunda-feira, Maio 11, 2009

Maria Adelaide

Maria chega toda feliz:

- Gente! Agora eu tenho e-mail! Minha filha que criou pra mim. Anota aí pra vocês me mandar as coisa!
- Jura, Maria? Que legal! Qual o endereço?
- É mariaadelaidemaluquinha@yahoo.com.br
- Nossa, Maria! Não sabia que seu nome era Maria Adelaide!
- Mas não é! É Maria da Penha!
- Ué, mas por que será então que sua filha colocou esse e-mail pra você?
- Sei lá ué....

(pausa)

- Maria...
- Oi.
- Não seria underline?
- Isso!! Isso!!

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Quarta-feira, Maio 06, 2009

Você faz xixi no banho?


Se não faz, deveria. Se faz, não está sozinho.

Segundo o site do S.O.S. Mata Atlântica, que está organizando essa inusitada pesquisa, cerca de 76% do público que respondeu, faz xixi no banho e com isso economiza cerca de 12 litros de água por dia com descarga.

Numa casa com 4 pessoas são 48 litros por dia.

Num ano, são 17520 litros de água economizada.

Responda a pesquisa: http://www.xixinobanho.org.br/ - O site, além de tudo, é uma graça! Cheio de animações...

Não vale mentir, hein?

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Quinta-feira, Abril 23, 2009

Seleção de coisas legais na web (sem critério algum)

Terror, o tipo da coisa que não é pra mim
O site Hotel 626 foi eleito o melhor de 2008 pelo público do FWA. É um site de terror que só funciona das 18h às 6h, suposto horário de funcionamento do hotel. Entrando à noite, dá mais medo ainda de percorrer os sombrios corredores... Ok, você pode burlar o sistema mudando a hora no seu computador ;)

Com produção de vídeos e 3D de alta qualidade, o site te desafia a sair vivo do hotel. Quando postei esse link no blog da Neotix, há um tempinho, teve nego reclamando que não conseguia usar. Atenção ao horário de funcionamento do site! Outra coisa: no início, é um pouco difícil de se localizar mesmo. Assim, ao entrar no corredor, saia clicando em tudo pra poder entrar em uma das salas e iniciar os desafios...

Tente sair vivo dessa!
http://www.hotel626.com/

Vídeo de outros tempos
Em sua primeira viagem ao Brasil, Pato Donald encontra Zé Carioca. Ao som de Aquarela do Brasil, desbravam a natureza, os costumes e muito do que o país tem a oferecer.



Bem legaus
O blog http://www.bemlegaus.com/ mostra dicas interessantes de decoração, artigos divertidos e modernos e peças de design pra ninguém botar defeito! Este saleiro e esta pimenteira abaixo, por exemplo, foram retirados de lá. Eles são feitos em cerâmica, têm rodinhas em aço inox e pneus de borracha. Foram criados pelo designer de Israel Iris Zohar. Imagina a diversão: passa o sal!


A cada dia, um post diferente.

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Terça-feira, Abril 21, 2009

História, interatividade e muita bola na rede

Sala das Copas

Logo na entrada, um saguão com fotografias e lembranças de colecionadores de todas as torcidas anuncia que a emoção não vai ser pouca. Flâmulas, miniaturas, bandeiras... Tudo é memória na chegada ao Museu do Futebol.

Suba a primeira escada rolante, e você vai se deparar com a imagem do Rei Pelé, em vídeo e tamanho pouco maior que o real, saudando os visitantes em português, inglês e espanhol. Um corredor escuro te levará ao salão dos anjos barrocos, em que grandes ícones do futebol de todos os tempos pairam no ar em projeções e tecidos que rodeiam os visitantes até a chegada da primeira área sobre gols.

De um lado, algumas personalidades como Galvão Bueno e Nelson Motta falam sobre seus gols prediletos, permeados por imagens marcantes; do outro, cabines com estações de rádio permitem que você escolha narrações de gols desde 1900 e as escute bem de perto, como num radinho de pilha, enquanto o que está sendo narrado passa numa tela à sua frente em legendas frenéticas.

Quando você já está achando tudo aquilo uma experiência super divertida, é levado para outra sala escura: a parte de baixo da arquibancada do Pacaembu, com perfis cravados na terra e um clima misterioso. De repente, um jogo de painéis, projeções e caixas de som criam uma sinfonia de gritos de guerra e comemorações de gols de várias torcidas, permitindo que os visitantes se sintam totalmente inseridos naquele ambiente e envolvidos na emoção daqueles apaixonados. É de arrepiar.

A partir daí, começa a parte mais histórica do museu. Quadros com imagens que associam a história do país à chegada do futebol me fizeram lembrar meu avô, que iria adorar tudo aquilo (ainda vou levá-lo). Um corredor mostra grandes heróis de nossa história, das artes à política, passando pela música, arquitetura e, é claro, futebol. Uma verdadeira aula em grandes painéis também com projeções.

Mais um corredor, dessa vez com Arnaldo Antunes narrando a fatídica final da copa de 1950, no Maracanã, em que o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 a 1. Uma narração sofrida, acompanhada pelas batidas aflitas de um coração brasileiro. Este é o chamado “Rito de passagem”, que leva os visitantes à super colorida Sala das Copas. São vários totens, representando diversas copas e seus respectivos momentos históricos, políticos, econômicos e artísticos. Dá pra passar horas só olhando as fotos e assistindo aos vídeos.

Após uma breve passagem por dois monumentos, que homenageiam as histórias de Pelé e Garrincha, chega-se ao grande almanaque interativo do futebol. Tudo o que você pode imaginar está ali. São regras, curiosidades, números, recordes, chuteiras e bolas desde a chegada do esporte ao Brasil até os dias de hoje, frases e apelidos famosos, réplicas do cartão e apito do juiz, e até as divertidíssimas mesas de pebolim, trazendo diferentes esquemas táticos!

Para finalizar, um pouco mais de diversão em outro andar. Primeiro, alguns campinhos de futebol projetados no chão são a alegria da criançada, que disputa a bola virtual. Em seguida, uma salinha em que, com óculos 3D, você confere de pertinho a habilidade de um grande jogador. E, por fim, teste a velocidade do seu chute com o goleiro virtual, e ainda tire uma foto que poderá ser encontrada no site do museu.

Não é à toa que o Museu do Futebol já está entre os 5 mais visitados da cidade (segundo levantamento da Revista da Folha), mesmo tendo sido inaugurado em setembro do ano passado. A tecnologia é usada de uma forma muito inteligente, atraindo a atenção de pessoas de todas as idades, e permitindo que elas aprendam sem perceber sobre a história do nosso país e este esporte, incorporado de forma tão natural à nossa cultura.

Reserve um dia todo e se entregue a essa paixão. Garanto que vai valer a pena.

Museu do Futebol
Estádio do Pacaembu – Praça Charles Miller, s/nº
Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam R$ 3,00)
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h
Não funciona em dias de jogo no Pacaembu. Confira agenda em: http://museudofutebol.org.br/

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